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Seca no Sudeste aumenta número de construção de poços artesianos

03/11/2014


Segundo o Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas, o número de perfurações atrás de água cresceu muito.
A seca na região Sudeste atinge milhões de moradores. Com o nível dos reservatórios e das represas baixando rapidamente, o povo está buscando alternativas para não ficar sem água.
Em São Paulo, aumentou muito a procura por uma forma antiga de captar água: a construção de poços artesianos. Mas será que essa é mesmo uma boa solução?
Uma explosão que muitos gostariam de ver. O vídeo acima mostra o momento em que a perfuração de um poço artesiano encontra água no subsolo. A imagem é bonita, mas a realidade nem tanto. Essa é a solução encontrada por muita gente que mora em São Paulo para fugir da seca que atinge boa parte da região Sudeste do país.
Em Santa Isabel, cidade da Região Metropolitana de São Paulo, moradores esperavam pela água como se fosse um milagre.
Depois de quatro dias de trabalho, finalmente os técnicos encontraram água em uma região de Santa Isabel. E o poço é bom, tem capacidade para 15 mil litros por hora. Uma imagem rara nessa época de estiagem
Luciano, o dono da propriedade, comemora.
Fantástico: Alegria aí?
Luciano Aparecido dos Santos (autônomo): Bastante, bastante mesmo. Com essa necessidade de água, a gente vê uma coisa dessas, dá até uma emoção para a gente.
Ele e outras 14 famílias enfrentam problemas de abastecimento há 6 meses.
Luciano: Mais de 15 famílias passando sede. Aí de repente uma alegria dessas...
Fantástico: Vai dividir água?
Luciano: A população aqui são 26 lotes. Aí a gente juntou 15 pessoas que estão bem necessitadas mesmo, e a gente conseguiu fazer essa maravilha para todos.
Segundo o Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas, o número de perfurações atrás de água cresceu muito.
“Por conta de todo o histórico de seca que vem acontecendo. Esse número nos últimos 12 meses está em torno de 400 poços. É um número bastante elevado”, destaca o diretor do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas da USP, Reginaldo Bertolo.
Um empresário do ramo confirma.
Adauto Afonso (dono de empresa de poços artesianos): Demanda de consultas, por telefone, e- mail, 300%, e fechamento de contrato efetivamente, 100%.
Fantástico: Dobrou?
Adauto Afonso: Dobrou.
Fantástico: Aumentou muito o movimento?
Maurício dos Santos (geólogo): Nossa! Estou trabalhando, quase não volto para casa.
Mas para encontrar água é preciso muito trabalho e um pouco de sorte. Num motel da capital paulista que enfrenta problemas de abastecimento, no oitavo dia de trabalho, nenhum sinal de água.
Fantástico: Pode ser que você não encontre água aqui?
Funcionário: Existe a possibilidade. Por isso, é um contrato de risco.
Um contrato de risco caro. As empresas cobram em média R$ 200 por metro perfurado. Quanto mais fundo, mais caro.
O poço que você viu no início da reportagem custou aproximadamente R$ 60 mil. Além do preço alto, é preciso autorização do Departamento Estadual de Águas para cavar um poço. Isso tudo contribui para uma estimativa assustadora sobre o número de perfurações clandestinas.
“Estimamos que desses 12 mil poços, 60% deles sejam clandestinos na Região Metropolitana de São Paulo”, destaca o diretor Reginaldo Bertolo.
O resultado pode ser desastroso à natureza. A maior parte dos poços de São Paulo está em cima de dois aquíferos que armazenam água debaixo da terra, o Cristalino e o São Paulo.
“Os dois aquíferos na região mais urbanizada de São Paulo, nós estimamos uma vazão de 16 m³, 16 mil litros a cada segundo. Uma vazão que é compatível com uma Represa de Guarapiranga inteira e que é uma vazão relativamente segura de ser utilizada. Os 12 mil poços existentes já estão muito concentrados em alguns locais, promovendo o surgimento de zonas de superexploração. Se faltar recarga para os aquíferos e houver uma extração excessiva, uma extração maior do que entra de água como recarga, os aquíferos podem se exaurir”, explica o diretor do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas da USP.
Há também riscos para a saúde.
“Muitas dessas pessoas, no desespero, estão saindo cavando buraco. Existe uma maior probabilidade dos aquíferos do solo e dos aquíferos, especialmente, os aquíferos rasos de serem contaminados. A minha recomendação é de que seja evitada o máximo possível o consumo dessa água”, sugere Reginaldo Bertolo.
Um condomínio utiliza água de poço artesiano legalizado há 12 anos.
“A gente fez, justamente, para se no futuro tivesse problema de água, não depender só de água fornecida pelo governo. Hoje a gente vê que valeu a pena. Mas tem preocupação de economizar porque, afinal de contas, é um bem finito”, diz a economista Nelza Gava Huerta.
Mas dona Ada, moradora do prédio, não se dá por satisfeita.
Ada Soave Mancusi (dona de casa): Aquelas coisas básicas de escovar o dente com copo, ensaboar de uma vez, enxaguar de uma vez. Tudo isso, eu sigo essas instruções.
Fantástico: Água aqui não vai faltar?
Ada Soave Mancusi: Não vai faltar, não vai faltar, mas a gente tem que gastar com consciência. E é o que eu faço, eu gasto com consciência.
Seca no Sudeste aumenta número de construção de poços artesianos

Fonte: FANTASTICO

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